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12 abril 2009

Homenagem à Francesa!

As Bicicletas de Belleville

Hoje assisti o filme As Bicicletas de Belleville, de Sylvain Chomet, um desenho animado fora dos padrões atuais, que traz muitas analogias e de tão cuidadoso, ressalta peculiaridades em seus detalhes (para entender tem que assistir =) ). Fantástico. Não me alongarei sobre o filme pois minha opinião é resumidamente a mesma que todas encontradas no Google.

Canções de Amor

Refletindo sobre o filme, que possui uma trilha MARAVILHOSA ou MERVEILLEUX, como quiserem, me fez lembrar do filme Canções de Amor (Les Chansons d'amour), do Christophe Honoré.

Este filme eu assisti há cerca de um ano e estive este tempo todo em busca da trilha sonora. Finalmente, hoje, encontrei e tornei a minha vida mais feliz! =)

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

Exagero? Acho que não. Foi como assistir Amelie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet, pela primeira vez...

O cinema francês vicia. Possuium excelente repertório e grandes artistas atuantes ou produtores que fazem grandes obras na indústria cinematográfica, muitas vezes ( comparando com os dias atuais) inexploradas.

Para os fãs de carteirinha, seguem algumas úsicas no meu Blip.FM: http://blip.fm/LudFigueiredo

Procurar por: Yann Tiersen e Alex Beaupain
Blip FM da Lud

01 agosto 2007

Quando Nietszche chorou... de dor...



Tentar sempre viver a vida dionisiacamente é, sem dúvida, o que ninguém nunca conseguirá fazer jus à palavra!


Dionísio, deus grego equivalente ao deus romano Baco, representa as festas, o vinho, o lazer e o prazer. É a favor de se viver intensamente, de ser livre e deixar os sentimentos guiarem vidas. Isto muitas vezes nos faz aproveitar o real sentido das sensações ou ainda materializar o sentimentos e pensamentos. Contudo, vale lembrar que antigamente, os românticos, por viver com seus sentimentos à flor da pele, muitas vezes se suicidavam por não suportar tal intensidade. Ser intenso não é apenas amar, sorrir, o sofrimento também é intenso, deve-se ter consciência disto. A intensidade é leal à liberdade, ser livre para sentir, não prender os sentimentos e sim, liberá-los, extravasá-los da forma como se sentir melhor. Não há nada mais belo que liberar os instintos, que entregar a alma à vida e consumir cada momento dela, por completo. Somos quem realmente somos não é no dia-a-dia, mas sim, em momentos de tensão. Ai sim, mostramos o verdadeiro eu, sem máscaras.
Podemos passar a vida inteira com uma pessoa ao nosso lado e nunca a conheceremos por completo. Sempre há um “eu” interior do parceiro(a) que não conhecemos e que, mais cedo ou mais tarde, será demonstrado de acordo com as circunstâncias.
Pois bem, se viver intensamente nos faz sofrer, nos corrói, porque ainda assim lutamos pela plena liberdade? Não queremos sofrer, mas lutamos em defesa ao sofrimento, já que ele sempre acompanha outros sentimentos.
Será que isto ocorre porque somos destrutivos e auto-destrutivos? Queremos destruir o que se encontra ao redor e nos destruímos muitas vezes, também.
Será que todas essas leis que existem, que visam o equilíbrio, a regra, a ponderação de atos, são além de controlar o sistema e obter o poderio, uma medida tomada a partir de fatos reais constatados de destruição em massa e individual, o que resultaria uma carnificina infernática?
Lembro-me de Sade, aristocrata francês e famoso pela pornografia escrachada, banalizada, excessiva e agressiva, além de descaso à moralidade. Será que Sade (daí o nome “sádico”), era a favor de suas orgias sexuais para sentir o prazer intenso realmente ou para conter seus sentimentos que o machucavam assim, não se envolveria emocionalmente e manteria o equilíbrio?
Imagine: Sade ama Lola, Lola não corresponde. Sade sofre. Para evitar a intensidade e manter o equilíbrio emocional, Sade usa a orgia, justificando sentir a intensidade do prazer (homens...nunca dão o braço a torcer!) apenas para fingir que não ama Lola e assim, não sofrer a ponto de acabar com a própria vida por causa dela, como os suicidas românticos.
Indo além, talvez o prazer das orgias não seja o prazer mais intenso como muitos procuram e sim, ao procurar formas diferentes de sentir prazer não percebem que precisam apenas achar a pessoa certa e ser intenso no momento. Como uma excelente frase em American Pie 2 direcionada ao Stifler: “Ter uma vida sexual ativa não quer dizer contar quantas vezes no ano você fez sexo e caçar pessoas para isto e sim, ter um companheiro(a) em que não é necessário contar, está sempre com você, se perde a conta!”. Mas não é isso que quero discutir.
Será que Sade disfarçava seus sentimentos por achar que uma gozada seria mais importante e intenso do que a pessoa amada?

Dias destes comentei minha nova teoria: se eu batesse em qualquer um na rua, qUE me irritasse, poderia ser presa. Mas se eu participasse de um torneio de Kick Boxing (exemplo, pois lutava), poderia agir livremente e sem conseqüências sociais. Sei que é algo perigoso de se pensar e falar, mas é normal muita gente querer agir assim. Olha mais uma vez o racional versus o emocional, o saber e o querer.
Será que evitar a dor profunda de um sentimento intenso não é uma fraqueza, covardia do ser humano?
Ou será que vivenciar o equilíbrio é ser forte para superar os extremos e amadurecer às eventualidades da vida?
Tentamos sempre ser fortes o bastante para sobreviver neste mundo de cão, mas e estas situações difíceis e intensas? Não podemos superar?

O objetivo não é concluir, é complementar.

Referências de filmes: Marquês de Sade, Clube da Luta, Assassinos por Natureza...

30 julho 2007

Cinema: Babel e Antes da Chuva - De Holly a Bolly


Produções diferentes, públicos diferentes, obras similares, mensagens idênticas. Mais uma vez um rostinho bonito e famoso é a saída para sucesso de bilheteria. O que há de errado? Nada. A questão é: Por que belos e talentosos (leia-se "mulheres" também), em sua maioria, se dispõem a participar de obras de pouco conteúdo? A culpa não é minha se criaram um estereótipo porém, graças a boas exceções, é possível levar um pouco de "arte pensada" aos filmes Hollywoodianos. A tal Bollywood, o tal cinema "cult", finalmente dá o ar da graça num formato que conquista pelo convencional.

Ver uma celebridade competente estrelando já é metade do sucesso garantido. A outra metade é conquistar o povo pelo conteúdo seja ele apenas de entretenimento ou levando alguma mensagem, conceito. Eis o que venho a comparar.

Assisti Babel, com Brad Pitt, este fim de semana e muito me fez lembrar do filme Antes da Chuva, de Milcho Manchevsky. Até aqui já conseguimos distingüir como memorizamos o filminho Hollywoodiano e o Bolly... Enfim, ambos utilizam um formato e uma ordem cronológica semelhantes. Ambos abordam a questão do tempo, a intercultura, omprovando-nos que alguns segundos podem mudar completamente o rumo das nossas histórias. Cada momento é decisivo para traçar o destino que, apesar de não mudar, depende de fatos que marcam e alteram os caminhos que nos levam ao final. Um momento gera outro, e outro, formando um ciclo que não pára, assim como o tempo. O início de uma história dá sustentação ao final de outra e assim sucessivamente, indiciando desenvolvimento.

Em Antes da Chuva, de Milcho Manchevsky, o movimento se encontra em pequenos detalhes ao longo do filme como o círculo de fogo da tartaruga (que representa longevidade), as imagens sacras, as escrituras sobre as pedras, etc. Tudo ocorre em fração de segundos: achar a menina, uma bala que atinge alguém, uma morte. O filme evidencia o constante passar das horas, com efeitos e simbologias adequadas para gerar cansaço e êxtase no interpretante. Possui muitos elementos figurativos (diversos são bíblicos) e a mensagem predominante é a não-verbal. Há loucura de amor que é a base do filme, a premissa; embora muitos creiam que isto esteja apenas em segundo plano, mas quem morre no filme, sofre por amor.

E qual a semelhança deste filme considerado monótono, sem graça, cansativo e antiquado com Babel, com Brad Pitt? Toda!!! Foi por alguns segundos que alguém é atingido por uma bala perdida, que se perde um "salva-vidas" no deserto, que há loucura de amor adolescente, prova de amor conjugal, iniciação ao fogo do amor proibido e estranho,ao amor fraterno, ao tesão que é confundido com amor. Amor também é a base do filme! O tempo também não pára e interliga pessoas que sequer se lembram umas das outras, que revolucionam vidas por apenas passar rapidamente nas alheias.

Numa linguagem mais vendedora, com mais diálogo, mais cenas comuns aos olhos da massa populacional, foi possível levar para muita gente o que geralmente é considerado "cult demais para o povão" ou "pobre em conteúdo demais para o mundo cult".

Por isso acredito que é possível a disseminação do conteúdo mais profundo de forma amigável. Gerar interesse pelo "cult" não precisa ser de um dia para o outro e nem sofrido com 3 horas de filme medonho e escuro para declarar a depressão, por exemplo.
Achei fantástica esta integração e precisava compartilhar estas semelhanças e estimular o interesse pelas diferenças de filmes com o mesmo propósito.

A proposta dos filmes é que cruzamos a vida de milhares de pessoas o tempo todo e os filmes declaram essa interligação em seqüências das cenas, em que uma cena é continuidade da outra embora haja pessoas, locais e problemas diferentes.
Apesar dos mesmos locais e pessoas, as atitudem também mudam e, assim, muda-se toda a história de alguém. Cada um tem sua trajetória e a pessoas podem interferir nela, apesar de o destino não poder ser mudado.

Nossa vida é um ciclo, porém, não é perfeito. Ela pode ter o formato que for contanto que seja contínua e que, do início ou de uma resposta, obtenha-se um fim ligado, ou uma perfgunta, já que a vida não é uniforme e possui altos e baixos, saliências.

Ambos retratam a idéia de Chronos - cronologia, tempo - filho do Céu e da Terra. De acordo com a mitologia grega, o tempo está entre o Céu e a Terra e todos nós somos filhos do tempo. Morremos a cada minuto, pois o tempo nos come pouco a pouco (segundo a mitologia, para evitar a maldição do pai (que o odiava), Chronos come seus filhos que nascem a fim de protegê-los). Esta passagem é representada em Antes da Chuva com as imagens do Céu e Terra, chuva no Céu (o caos vem vindo, a vida antes da tempestade).

Pois é, De Holly a Bolly e vice-versa. Babel,(ressalto)com Brad Pitt e Antes da Chuva, de Micho Manchevsky. Não faz muita diferença na minha vida, mas seria interessante ver a Jessica Simpson passar algum conteúdo enigmático num filme de crítica à sociedade.